O Phueirismo como anti-movimento literário
Permanecer na memória dos pósteros. Ser lido pelos vivos.
Não há vaidade literária mais justa que essa. Todas as demais são vãs, como todas as vaidades.
Já que lutar contra a morte e contra o esquecimento está na raiz mesmo do fazer artístico.
Se não houvesse isso - por mais falsamente modesto que o autor venha a proclamar-se - não haveria comunicação. Nem arte. Nem nada.
O fazer literário demanda uma busca, nem que seja secretíssima, dissimulada, velada, envergonhada, pela admiração dos outros, pela aceitação, pela consideração. Ou então - o reverso disso - quer transgredir, chocar, provocar. No caso, estamos na mesma: busca-se a opinião alheia.
Não que isso seja doentio ou soe como carência. É da nossa natureza de artistas. Aceitemos que se escreve para que outros leiam. Aceitemos que se escreve para comunicar. Aceitemos que gostaríamos de sermos lidos e queridos. Ou lidos e odiados. Mas sempre lidos.
Mas, nos idos da década de 1990, um grupo de estudantes com pendores literários, dentre os quais o autor destas linhas, se organizou em movimento. Intitularam-se Phuleiristas. Ou melhor: "Movimento Phuleirista d'Alhures". Possuíam identidade de grupo, linguagem comum, valores, hino, brasão, bandeira, manifesto, uma ontologia, uma estética, uma filosofia política, etc, etc.
Só que esse grupo de rapazes irredentos jamais sistematizaram essa herança comum. Não se levaram a sério a ponto disto. Afinal, eram phuleiristas. E na medida em que começassem a aspirar a uma carreira literária séria, organizada, planejada, deixariam de sê-los. Não queriam, por exemplo, ser como a Academia da Incerteza ou a Rosa Literária, dois grupos atuantes na UFC na mesma época. Para os phuleiristas, esses grupos eram "certinhos" demais, "inteligentes" demais, demasiado preocupados com o seu reconhecimento literário.
Ora, isso, por si mesmo, já configura a mais radical das contradições literárias. Como ser e não-ser ao mesmo tempo?
A "obra" phuleirista permaneceu oral, como sempre foi. Ninguém do grupo deixou de ostentar o título de phuleirista. O conhecimento desta obra só se torna disponível pela memória. Vazada assim, sequer se presta à escrita, dado que impregnada de gíria, de onomatopeias, de arcaísmos, de neologismos.
Sob o critério do reconhecimento acima exposto, é óbvio que o phuleirismo é um anti-movimento pois não almejou nenhum reconhecimento, leitores, nada. Não nego o seu vies literário, mas reconheço nele, também, um caráter antiliterário. Pena que hoje em dia são muitos os que gostariam de ler algo dos phuleiristas. Esqueçam. Jamais este grupo publicará nada. Continuaremos, como Anchieta, escrevendo na beira-mar, tragados para sempre pelo movimento das ondas.
Só que esse grupo de rapazes irredentos jamais sistematizaram essa herança comum. Não se levaram a sério a ponto disto. Afinal, eram phuleiristas. E na medida em que começassem a aspirar a uma carreira literária séria, organizada, planejada, deixariam de sê-los. Não queriam, por exemplo, ser como a Academia da Incerteza ou a Rosa Literária, dois grupos atuantes na UFC na mesma época. Para os phuleiristas, esses grupos eram "certinhos" demais, "inteligentes" demais, demasiado preocupados com o seu reconhecimento literário.
Ora, isso, por si mesmo, já configura a mais radical das contradições literárias. Como ser e não-ser ao mesmo tempo?
A "obra" phuleirista permaneceu oral, como sempre foi. Ninguém do grupo deixou de ostentar o título de phuleirista. O conhecimento desta obra só se torna disponível pela memória. Vazada assim, sequer se presta à escrita, dado que impregnada de gíria, de onomatopeias, de arcaísmos, de neologismos.
Sob o critério do reconhecimento acima exposto, é óbvio que o phuleirismo é um anti-movimento pois não almejou nenhum reconhecimento, leitores, nada. Não nego o seu vies literário, mas reconheço nele, também, um caráter antiliterário. Pena que hoje em dia são muitos os que gostariam de ler algo dos phuleiristas. Esqueçam. Jamais este grupo publicará nada. Continuaremos, como Anchieta, escrevendo na beira-mar, tragados para sempre pelo movimento das ondas.
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